Um acréscimo

Devido às inúmeras manifestações, jocosas ou não, venho me posicionar em relação a algo que não sou muito familiar: o futebol. Na final do primeiro turno do Campeonato Gaúcho de 2011, o árbitro Márcio Chagas da Silva concedeu, no segundo tempo, o acréscimo de seis minutos ao tempo regulamentar, além de dois minutos a mais após o atendimento do goleiro do Caxias durante estes seis minutos – portanto, oito no total. Ou seja, o jogo deveria terminar aos 53 minutos. Como levantou-se suspeita, visto que o gol de empate do Grêmio saiu aos 50 minutos, algumas dúvidas devem ser sanadas.

Primeiro: diz a regra número 7, que verba sobre “A Duração da Partida”:

Cada período deverá prolongar-se para recuperar todo o tempo perdido por:

  • substituições;
  • avaliação da lesão de jogadores;
  • transporte dos jogadores lesionados para fora do campo de jogo para serem atendidos;
  • perda de tempo;
  • qualquer outro motivo.

Vale notar aqui que houve, no segundo tempo, cinco substituições, cinco atendimentos médicos (dois deles, do goleiro – o que exige a interrupção total), duas expulsões e a chamada “cera técnica” – que também gerou o cartão amarelo ao goleiro André. Segue.

Segundo, ainda sobre a mesma observação:

A recuperação do tempo perdido ficará a critério do árbitro..

Se ele considerasse 30 segundos por cada lance, seriam, no mínimo, seis minutos de acréscimo – o que ele estipulou. Se ainda considerasse minutos em demasia, desconsiderasse a contusão extra do goleiro e entendesse que as expulsões foram no mesmo momento, daria cinco minutos a mais. O jogo terminaria aos 50, logo após o gol do Grêmio. Mais uma vez, não passa pela arbitragem o resultado. Na edição gaúcha do Globo Esporte, o ex-árbitro e analista Leonardo Gaciba diz que reviu o jogo e cronometrou as paralisações. Foram mais de nove minutos a mais. Cinquenta por cento a mais do que o tempo estipulado.

Outro argumento que ouvi: “ah! Mas se fosse contra time grande, ele não daria isso tudo.” Quer dizer que estamos celebrando o erro, a enganação, a lei de Gérson? O juiz acertou, ok, mas nenhum acerta. Então, melhor que tivesse errado?

Também disseram que isso nunca aconteceu e não vai se repetir. Bom, no dia seguinte, pelo segundo turno, o Veranópolis bateu o Inter-SM por 3×2 com gol de pênalti aos… pasmem!… 50 minutos do segundo tempo. Claro, porque o Veranópolis é time grande, só pode.

Aulixiar brasileiro na última Copa

O que deve ser ressaltado quanto à atuação do trio é a resposta que o auxiliar Altemir Hausmann teria dado à rádio gaúcha (não ouvi, apenas li na matéria do GloboEsporte.com). Ele alega que teria exclamado “Deus é justo!” não para ironizar a contusão de André Lima, mas para agradecer o acerto na marcação de um impedimento. Informação que ele havia recebido por rádio durante a partida. Veem? O árbitro auxiliar admite que foi informado por fontes externas sobre a marcação de um lance. Se é assim, seria mais fácil parar o jogo, ir até a mesa e olhar na televisão se foi ou não.

Analisando o jogo, o Caxias esmagou o Grêmio como um time grande no primeiro tempo. Jogou com laterais quase como alas no ataque e se fechou em um 4-6-0 na defesa. Os atacantes marcavam a saída dos laterais gremistas, o meio saía rápido e o Tricolor não se encontrou. No segundo tempo, o Grêmio fez pressão e o Caxias atuou como time pequeno. Exagerou na catimba. Itaqui, ao ver que seria substituído, deu um pique e, de repente, mudou de ideia e resolveu cair. Com isso, o Grená atraiu o time, a torcida e a ira dos próprios torcedores derrotados. Pereceu, enfim, até entregar o primeiro turno em uma apática e desoladora decisão por pênaltis.

No fim, tudo isso, pra Grêmio, pra Caxias, pra mim e pra você, vai esconder um erro de um árbitro FIFA. Que, bem melhor, poderia ser substituído por uma câmera.


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